Dia 27/9/2011 Biguaçú e a grande chegada à Florianópolis.
Um dia esperado há muito tempo e de grande expectativa. Acordei cedo como todo dia e começamos a arrumar as coisas para a última jornada. O nosso amigo Leônidas telefonou dizendo que estava querendo vir me acompanhar de carro por todo o percurso. Lá pelas tantas, na pousada escutei um “grito do Tarzan” vindo da rua. Ao olhar pela janela vi que o Leônidas estava na rua, com sua esposa Margaret e nossos amigos Alcides e Sidnei. Foi a primeira emoção do dia ao ver amigos, que fazia mais de 4 meses que não via. Um pouco de conversa, terminar de arrumar nossas coisas, “despedir’ do último local de dormir fora de casa.

Fui pedalando contornando o município de Governador Celso Ramos, ora em pequenas subidas e descidas, ora ao lado do mar e já avistando as praias do norte da Ilha de Florianópolis. Depois de 25 km chegamos à BR101. Hora de tomar um suco, comer alguma coisa leve para enfrentar uma rodovia movimentada.

Depois de 10 km na BR 101 chegamos à Biguaçú, onde nosso amigo e corredor Silas nos aguardava. Ele já havia feito contato na prefeitura e marcado para 13 horas um encontro com o vice prefeito. Ele nos recebeu, junto com o secretario de governo e fez questão que eu levasse a bicicleta no gabinete. Entregaram-nos uma medalha, um livro e DVD sobre o município. Ele disse estar honrado por Biguaçú ser a última cidade de nosso roteiro. Acabei fazendo um pequeno discurso e agradecendo a recepção, a presença dos amigos e da Fátima. Estava difícil conter a emoção.

Hora de voltar para a BR 101 para mais 10 km de muita atenção com o movimento intenso de veículos. Chegando ao trevo de Barreiros deixei a bicicleta com a Fátima, para finalizar o percurso até Florianópolis correndo. Lá estavam nossos amigos e corredores: Dodl, Raulino, Alcides, Sidnei, meu Irmão Mário e também o Raul Cardoso, de Blumenau.

Procurei aproveitar a emoção de correr estes últimos km com os amigos. No bairro de Barreiros cruzamos a “’ultima fronteira”, divisa de São José e Florianópolis. Cada hora que chegava perto do Florianópolis a ansiedade aumentava. Do continente já avistava a Av. Beira-mar, logo depois estávamos na passarela da ponte que liga ao nosso destino. A Fátima nos acompanhou de carro até onde foi possível e depois seguiu direto para o trapiche da Beira-mar.

Quando chegamos à ciclovia da Av. Beira-mar encontramos pedalando o Dedé e logo depois o Júlio, a Tatiane Piuco e nosso vizinho Marcos Erico Hoffman. Já estávamos a um km da chegada e eu tinha um nó na garganta.

Depois quando faltavam 300m a Fátima veio ao nosso encontro com as duas bandeiras do Estado, repletas de assinaturas dos prefeitos das várias cidades por onde passamos. Estas bandeiras têm um sentido simbólico muito grande para nós, pois é um registro de prefeitos de diferentes cantos de nosso Estado. Nesta hora já não enxergava muita coisa e o pensamento era vago. Mais alguns passos e escutamos o barulho d e um grande rojão e em seguida um foguetório. Era a grande recepção que a Luanda e Ana Cristina prepararam para nos receber. Via que havia muitos amigos e familiares, que vieram de São Paulo para ver nossa chegada, mas a visão e a cabeça estava meio confusa. Foi onde chorei de emoção, junto com a Fátima de contentamento por ter completado toda nossa façanha. Depois a Luanda nos entregou uma medalha e um troféu, com nosso nome e também champanhe para comemoração, tudo surpresa. Este momento provavelmente foi um dos mais emocionantes de minha vida. Foi muito agradável conversar com os amigos, mas não sabia muito que dizer. Uma coisa eu sei, valeu a pena tudo que passamos nestes 120 dias, 293 cidades, corrido 1.273km e pedalado 4.368km.

Aprendemos com as dificuldades, aproveitamos os momentos de alegria, os locais bonitos e as pessoas que conhecemos. Depois em casa, as coisas ainda estavam confusas, estando em nossa casa, com muito mais espaço que todos os hotéis por onde estivemos. Também meio “deslocado” em saber que no dia seguinte não estaríamos na estrada, procurando o desconhecido e sim de volta a nossa casa e ao trabalho. À noite não consegui dormir bem, acordando algumas vezes à noite e as 5h30 já não dormi mais. A cabeça ainda estava agitada e confusa com a volta para casa.






comentários
PARABÉNS PELA CONCLUSÃO DESSA FANTÁSTICA MISSÃO, TAMBÉM PARABENIZO A SUA FAMÍLIA PELO APOIO,QUE É DE FUNDAMENTAL IMPORTÃNCIA NA VIDA DE QUALQUER ATLETA QUE SE DECIDE REALIZAR UMA JORNADA DESSA NATUREZA.UM GRANDE ABRAÇO, ENCONTRAREMOS EM BREVE, NO DESAFIO PRAIAS E TRILHAS.
Imaginamos que tenha sido mesmo um momento único, de tentar superar todos os limites. Ficamos pensando na "adrenalina" que foi essa sua chegada, que mesmo cansados foi entre risos, lágrimas e muita emoção!
O Neguinho disse que na época de estudante também tinha essa sensação de "deslocado" quando ficava quatro meses fora da universidade. O retorno era confuso, logo em seguida essa agitação terminava.
Tudo voltará ao normal em pouco tempo!
Parabéns por superar todas as dificuldades dessa caminhada!
Beijo grande!
Dedé e Neguinho