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Eu corro ao redor de uma ilha

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Com 140 km, o Revezamento Volta à Ilha Asics possibilita integração entre atletas em um cenário perfeito para a prática de esportes
Na maioria das cidades costuma-se correr ao redor do parque, do quarteirão ou, por exemplo, de uma lagoa, como a Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Em alguns lugares se contorna toda a cidade, ou se atravessa ela em uma maratona. Mas em Florianópolis, que está quase totalmente localizada na Ilha de Santa Catarina com cerca de 40 praias, trilhas e belas paisagens, a ideia não poderia ser outra senão realizar uma corrida que desse uma volta completa na ilha e cruzasse pelas belezas naturais da cidade: o Revezamento Volta à Ilha Asics.
“A essência do evento é a interação entre os grupos de competidores durante todo o dia. São momentos muito intensos em um curto espaço de tempo, e tudo associado à beleza da capital catarinense”, ressalta Carlos Duarte, idealizador da prova e diretor-presidente da Eco Floripa Eventos Esportivos.
Criada em 1996, o Revezamento Volta à Ilha foi a primeira corrida por equipes de longo percurso do Brasil. Desde então, foram 17 edições que consolidaram a prova no calendário nacional. “Hoje, a corrida é uma das mais procuradas no país, mas como número de participantes é limitado, precisamos fazer sorteio de parte das vagas”, explica Duarte.
Em 2012, foram 3.700 atletas divididos em 400 equipes de todo o país que percorreram os 140 km da 17ª edição do Revezamento Volta à Ilha Asics. Parte das vagas são reservadas àqueles que participaram seis anos ou mais, ou venceram alguma das provas da Eco Floripa no ano anterior.
Entre os corredores, encontram-se diversos perfis de preparos físicos. Há quem corre no fim de semana, quem é apaixonado por esportes e quem é atleta profissional. Essa integração é característica da prova devido ao número de competidores por equipe e a diversificação das categorias. Na categoria participação, por exemplo, podem concorrer até 12 atletas com idade mínima de 12 anos, enquanto na veterana são oito integrantes com mais de 50 anos. Ao todo, são oito categorias disponíveis. Destaque para as duplas tem um enorme desgaste durante a prova e para a categoria Aberta, com oito corredores, em que se corre em um ritmo acelerado para fechar o revezamento no menor tempo do dia.
17ª edição trouxe novidades
A largada ocorre durante o amanhecer. As primeiras equipes começam a prova às 4h15 e a cada 15 minutos, até as 7h45, um novo grupo saía sob o apoio de gritos de motivação e um céu nublado. O Revezamento Volta à Ilha Asics já teve um percurso maior. A primeira edição teve 150 km, seguida de seis anos com 155 km de prova, para depois voltar a ter 150 km por mais nove anos. Embora menor que as edições anteriores, o nível de dificuldade deste ano aumentou com três importantes mudanças, que incluem travessia de barco e dois novos trechos com trilhas na região Norte de Florianópolis. Ao todo, a prova está dividida em 19 seções, que variam de 4,7 km até 15 km.
Os atletas chegam à primeira novidade da corrida 25 km depois de largarem. A travessia da baía entre o bairro com características da colonização açoriana, Sambaqui, e o Pontal da Daniela, foi realizada por três barcos com capacidade para 10 pessoas e duas lanchas com banana boat, que podem levar até 20 pessoas. As águas no local são calmas, mas a preocupação dos atletas era quanto à cronometragem do tempo. O período no barco seria retirado do tempo final da prova, ou seja, não seria cronometrado.
Depois da praia da Daniela, os atletas atravessaram o Forte de São José da Ponta Grosa, que a partir do ano de 1740 fez parte do sistema de defesa português na Ilha de Santa Catarina. Em seguida, os corredores saem do século XVII e entram pelas ruas das modernas mansões e casas de Jurerê Internacional, antes de seguir por mais 11 km até a segunda novidade do percurso.
Considerado uma das seções mais difíceis, o trecho 7 reserva aos atletas uma trilha 3,5 km, com 180 metros de altitude, que irá levá-los da praia da Lagoinha até a praia Brava. Nesse trecho, a atenção com pedras e raízes foi fundamental, além do fôlego. Na seção seguinte, mais uma trilha, dessa vez entre a Brava e os Ingleses. “Antes, a gente voltava pelo asfalto para depois ir até a Brava. Esse ano não, os corredores irão direto, o que reduz a quilometragem, mas aumenta a dificuldade”, explica Carlos Duarte. “Com essas mudanças, conseguimos caracterizar melhor a ideia de contorno na Ilha de Santa Catarina.”
Já no Leste da capital catarinense, as equipes seguiram pelas praias famosas entre surfistas de todo o mundo como Santinho, Moçambique, Barra da Lagoa, Joaquina, Campeche, Armação. Mas nada de prancha e ondas. Os atletas encontraram dunas e areia pesada devido à chuva da noite anterior. No Sul Ilha, está o grande e já tradicional desafio do percurso: a estrada de terra do Morro do Sertão. A seção é a mais longa, com 15 km, dos quais seis são para subir e descer o morro com 250 metros de altitude.
Atletas de diferentes perfis e com diferentes preparos
Corredores de todo o país participam do Revezamento Volta à Ilha Asics e cada um treina de acordo com as suas condições. A dupla Sinei Mendanha é Cleiser Alves, da equipe André Villarinho, é um exemplo de determinação e superação. Mendanha é peão de fazenda em Americano do Brasil e Alves é servente pedreiro em Goiânia, ambas cidades de Goiás. Os dois correm a prova juntos desde 2010 na categoria Dupla em ritmo de atleta de elite e foi em uma participação no Volta à Ilha que viram o mar pela primeira vez.
Sinei Mendanha acorda cedo e às 4h está no curral da fazenda ordenhando as vacas. O cuidado com os animais vai até as 10h, quando ele começa a treinar. No fim da tarde, percorre 10 km de bicicleta até a cidade onde cursa o Ensino Médio. Às 22h, começa a voltar para a fazenda, para dormir cinco ou seis horas e começar outra jornada. Cleiser Alves também treina seis vezes por semana e mantém uma rotina que dificulta o preparo, mas garante que a corrida é o que lhe dá prazer. “O que mais gosto de fazer é correr, foi assim que pude conhecer outras cidades e até ver o mar.”
O atleta Marcos Capistrano, da Beckhauser Malhas de Tubarão/SC, destaca que os treinos passam a se especializar com a chegada da prova, que tem diversos tipos de terrenos. “Desde o ano passado, estamos pensando e nos preparando para o Volta à Ilha. À medida que o evento se aproxima, cada atleta treina focado no trecho que irá correr.” A tendência é que trechos mais curtos sejam explorados por atletas mais velozes, enquanto que os maiores e com mais morros por atletas de maior resistência.
Sem todo o profissionalismo dos atletas de elite, mas tão empolgados quanto, estão os corredores que disputam nas categorias de participação. “Nosso objetivo é propor uma atividade esportiva em um clima de confraternização, sem deixar o lado de competição apagado”, explica Duarte. Exemplo disso é a corredora e engenheira eletricista Maira Cristina Osmari, 24, que participou pela primeira vez da competição e correu o trecho da praia da Daniela. “Foi muito bom, gostei bastante”, conta ela que treinava quatro vezes por semana alguns meses antes da prova.
Movimento econômico
Mais que mexer as pernas e gastar dinheiro, os 3.700 atletas movimentam a economia local durante o Revezamento Volta à Ilha Asics. A organização logística é fundamental para garantir agilidade e menos problema durante o dia de prova. “A organização para o Volta à Ilha começa quando a última edição termina”, afirma Edoir Schmoeller, coordenador da equipe Beckhauser Malhas de Tubarão/SC, responsável por organizar esse sistema para a equipe.
São viagens, hotéis, carros, mantimentos e alimentação que custam cerca de R$ 8 mil durante dois dias em Florianópolis e região para uma equipe com 10 a 12 integrantes. São, em média, R$ 3 milhões que engordam a conta do setor de serviços da capital no final de semana do Volta à Ilha. Setores, como o de hotéis, se especializaram e oferecem café da manhã mais cedo no dia do evento, a fim de atender às necessidades dos atletas.
Algumas agências de turismos também buscam oferecer pacotes que incluem passagens áreas, hospedagem, aluguel de veículos e inclusive um kit alimentação com frutas, sanduíches, água, isotônico, cereais que entregue na noite anterior a prova. “É um produto que desenvolvemos junto com nutricionistas há três anos e que deu certo”, explica Vilmar Zunino, proprietário da agência de viagens Amplestur.
José Eduardo Zdanowicz, coordenador na equipe Paquetá Esportes Asics Faccat, afirma que levam apenas o isotônico para o evento. “O resto da alimentação compramos tudo em Florianópolis. No total, o orçamento com todos os gastos de um ano é de aproximadamente R$ 20 mil. Desse valor, 30% gastamos em dois dias de evento em Santa Catarina”, explica Zdanowicz. Segundo Zunino, o movimento do Volta à Ilha corresponde a 60% do ocorre no mês do evento.
Quando tudo vale a pena
No decorrer do sábado da prova, o clima não mudou durante o dia. Choveu em alguns momentos, mas continuou abafado. Por volta das 15h, na arena do Volta à Ilha montada próximo ao trapiche da avenida Beira-Mar, em Florianópolis, o locutor anuncia que os primeiros atletas já passaram o aeroporto e estão a caminho. No mesmo lugar onde ocorreu a largada, ainda na madrugada florianopolitana, todos começam a se movimentar e se preparar para receber os corredores depois de 140 km.
“Já estão chegando”, fala ao microfone o locutor quando vê a dupla pela primeira vez e às 15h30 a equipe de André Villarinho, formada por pelo peão de fazenda Sinei Mendanha e pelo servente Cleiser Alves, foi a primeira a concluir a prova se consagrando tri campeã na categoria.
Encharcados de suor e ofegantes, os dois completaram a prova com 10h18min48s , já descontado o tempo de travessia do barco e sentem-se realizados, quase que leves. “Foi muito disputado, mas no trecho do Morro do Sertão, conseguimos abrir alguns minutos de vantagem”, conta Alves, referindo-se à dupla da Paquetá Esportes – Cia dos Cavalos, que chegou em segundo e correu grande parte da prova junto.
Com a chegada da dupla campeã, a expectativa passa a ser em saber qual será a equipe que completará a prova no menor tempo do dia e receberá a medalha de campeã geral de 2012. O favoritismo apontava para uma disputa entre Beckhauser Malhas de Tubarão/SC e Paquetá Esportes Asics de Porto Alegre/RS. As duas equipes correram juntas quase dois terços da prova com a diferença na casa dos segundos.
Às 15h58, termina a espera com a vitória da equipe catarinense. A Beckhauser Malhas de Tubarão/SC se consagra bicampeã do Revezamento Volta à Ilha e comemora muito aos pulos e gritos sob o painel de chegada. “É muito bom, é muita emoção. A prova foi muito difícil, muito disputada, mas conseguimos. Fizemos tudo certo, desde a preparação até agora. Ano que vem tem mais”, comemora o coordenador Edoir Schmoeller, tão ofegante quanto os atletas que correram a prova. A equipe conseguiu abrir uma vantagem de 12 minutos que começou a ser construída no trecho do Morro do Sertão.
O momento de realização dos atletas chamou a atenção de pessoas que caminham ou correm na Beira-Mar. Algumas fazem exercícios regularmente, outras apenas passeiam. Mas o esporte mexe com instinto de vencer e ver alguém contente por conquistar um objetivo inspira novos praticantes. Vestida com roupas de caminhada, a contadora Aghata Frade parou para aplaudir uma equipe de Campinas que recém completava a prova. “Sou de Campinas, mas moro em Florianópolis há dez anos. Acho muito interessante eventos com esse tipo de iniciativa, pois incentiva a melhora da qualidade de vida na cidade”, comenta Aghata, que pretende participar do evento no ano que vem. “Quem sabe”, diz ela enquanto volta a caminhar.
Com 140 km, o Revezamento Volta à Ilha Asics possibilita integração entre atletas em um cenário perfeito para a prática de esportes.

Na maioria das cidades costuma-se correr ao redor do parque, do quarteirão ou, por exemplo, de uma lagoa, como a Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Em alguns lugares se contorna toda a cidade, ou se atravessa ela em uma maratona. Mas em Florianópolis, que está quase totalmente localizada na Ilha de Santa Catarina com cerca de 40 praias, trilhas e belas paisagens, a ideia não poderia ser outra senão realizar uma corrida que desse uma volta completa na ilha e cruzasse pelas belezas naturais da cidade: o Revezamento Volta à Ilha Asics.

“A essência do evento é a interação entre os grupos de competidores durante todo o dia. São momentos muito intensos em um curto espaço de tempo, e tudo associado à beleza da capital catarinense”, ressalta Carlos Duarte, idealizador da prova e diretor-presidente da Eco Floripa Eventos Esportivos. 

Criada em 1996, o Revezamento Volta à Ilha foi a primeira corrida por equipes de longo percurso do Brasil. Desde então, foram 17 edições que consolidaram a prova no calendário nacional. “Hoje, a corrida é uma das mais procuradas no país, mas como número de participantes é limitado, precisamos fazer sorteio de parte das vagas”, explica Duarte. 

Em 2012, foram 3.700 atletas divididos em 400 equipes de todo o país que percorreram os 140 km da 17ª edição do Revezamento Volta à Ilha Asics. Parte das vagas são reservadas àqueles que participaram seis anos ou mais, ou venceram alguma das provas da Eco Floripa no ano anterior.

Entre os corredores, encontram-se diversos perfis de preparos físicos. Há quem corre no fim de semana, quem é apaixonado por esportes e quem é atleta profissional. Essa integração é característica da prova devido ao número de competidores por equipe e a diversificação das categorias. Na categoria participação, por exemplo, podem concorrer até 12 atletas com idade mínima de 12 anos, enquanto na veterana são oito integrantes com mais de 50 anos. Ao todo, são oito categorias disponíveis. Destaque para as duplas tem um enorme desgaste durante a prova e para a categoria Aberta, com oito corredores, em que se corre em um ritmo acelerado para fechar o revezamento no menor tempo do dia.


17ª edição trouxe novidades
A largada ocorre durante o amanhecer. As primeiras equipes começam a prova às 4h15 e a cada 15 minutos, até as 7h45, um novo grupo saía sob o apoio de gritos de motivação e um céu nublado. O Revezamento Volta à Ilha Asics já teve um percurso maior. A primeira edição teve 150 km, seguida de seis anos com 155 km de prova, para depois voltar a ter 150 km por mais nove anos. Embora menor que as edições anteriores, o nível de dificuldade deste ano aumentou com três importantes mudanças, que incluem travessia de barco e dois novos trechos com trilhas na região Norte de Florianópolis. Ao todo, a prova está dividida em 19 seções, que variam de 4,7 km até 15 km.

Os atletas chegam à primeira novidade da corrida 25 km depois de largarem. A travessia da baía entre o bairro com características da colonização açoriana, Sambaqui, e o Pontal da Daniela, foi realizada por três barcos com capacidade para 10 pessoas e duas lanchas com banana boat, que podem levar até 20 pessoas. As águas no local são calmas, mas a preocupação dos atletas era quanto à cronometragem do tempo. O período no barco seria retirado do tempo final da prova, ou seja, não seria cronometrado.

Depois da praia da Daniela, os atletas atravessaram o Forte de São José da Ponta Grosa, que a partir do ano de 1740 fez parte do sistema de defesa português na Ilha de Santa Catarina. Em seguida, os corredores saem do século XVII e entram pelas ruas das modernas mansões e casas de Jurerê Internacional, antes de seguir por mais 11 km até a segunda novidade do percurso.

Considerado uma das seções mais difíceis, o trecho 7 reserva aos atletas uma trilha 3,5 km, com 180 metros de altitude, que irá levá-los da praia da Lagoinha até a praia Brava. Nesse trecho, a atenção com pedras e raízes foi fundamental, além do fôlego. Na seção seguinte, mais uma trilha, dessa vez entre a Brava e os Ingleses. “Antes, a gente voltava pelo asfalto para depois ir até a Brava. Esse ano não, os corredores irão direto, o que reduz a quilometragem, mas aumenta a dificuldade”, explica Carlos Duarte. “Com essas mudanças, conseguimos caracterizar melhor a ideia de contorno na Ilha de Santa Catarina.”

Já no Leste da capital catarinense, as equipes seguiram pelas praias famosas entre surfistas de todo o mundo como Santinho, Moçambique, Barra da Lagoa, Joaquina, Campeche, Armação. Mas nada de prancha e ondas. Os atletas encontraram dunas e areia pesada devido à chuva da noite anterior. No Sul Ilha, está o grande e já tradicional desafio do percurso: a estrada de terra do Morro do Sertão. A seção é a mais longa, com 15 km, dos quais seis são para subir e descer o morro com 250 metros de altitude.


Atletas de diferentes perfis e com diferentes preparos
Corredores de todo o país participam do Revezamento Volta à Ilha Asics e cada um treina de acordo com as suas condições. A dupla Sinei Mendanha é Cleiser Alves, da equipe André Villarinho, é um exemplo de determinação e superação. Mendanha é peão de fazenda em Americano do Brasil e Alves é servente pedreiro em Goiânia, ambas cidades de Goiás. Os dois correm a prova juntos desde 2010 na categoria Dupla em ritmo de atleta de elite e foi em uma participação no Volta à Ilha que viram o mar pela primeira vez.

Sinei Mendanha acorda cedo e às 4h está no curral da fazenda ordenhando as vacas. O cuidado com os animais vai até as 10h, quando ele começa a treinar. No fim da tarde, percorre 10 km de bicicleta até a cidade onde cursa o Ensino Médio. Às 22h, começa a voltar para a fazenda, para dormir cinco ou seis horas e começar outra jornada. Cleiser Alves também treina seis vezes por semana e mantém uma rotina que dificulta o preparo, mas garante que a corrida é o que lhe dá prazer. “O que mais gosto de fazer é correr, foi assim que pude conhecer outras cidades e até ver o mar.”

O atleta Marcos Capistrano, da Beckhauser Malhas de Tubarão/SC, destaca que os treinos passam a se especializar com a chegada da prova, que tem diversos tipos de terrenos. “Desde o ano passado, estamos pensando e nos preparando para o Volta à Ilha. À medida que o evento se aproxima, cada atleta treina focado no trecho que irá correr.” A tendência é que trechos mais curtos sejam explorados por atletas mais velozes, enquanto que os maiores e com mais morros por atletas de maior resistência. 

Sem todo o profissionalismo dos atletas de elite, mas tão empolgados quanto, estão os corredores que disputam nas categorias de participação. “Nosso objetivo é propor uma atividade esportiva em um clima de confraternização, sem deixar o lado de competição apagado”, explica Duarte. Exemplo disso é a corredora e engenheira eletricista Maira Cristina Osmari, 24, que participou pela primeira vez da competição e correu o trecho da praia da Daniela. “Foi muito bom, gostei bastante”, conta ela que treinava quatro vezes por semana alguns meses antes da prova.


Movimento econômico
Mais que mexer as pernas e gastar dinheiro, os 3.700 atletas movimentam a economia local durante o Revezamento Volta à Ilha Asics. A organização logística é fundamental para garantir agilidade e menos problema durante o dia de prova. “A organização para o Volta à Ilha começa quando a última edição termina”, afirma Edoir Schmoeller, coordenador da equipe Beckhauser Malhas de Tubarão/SC, responsável por organizar esse sistema para a equipe.

São viagens, hotéis, carros, mantimentos e alimentação que custam cerca de R$ 8 mil durante dois dias em Florianópolis e região para uma equipe com 10 a 12 integrantes. São, em média, R$ 3 milhões que engordam a conta do setor de serviços da capital no final de semana do Volta à Ilha. Setores, como o de hotéis, se especializaram e oferecem café da manhã mais cedo no dia do evento, a fim de atender às necessidades dos atletas.

Algumas agências de turismos também buscam oferecer pacotes que incluem passagens áreas, hospedagem, aluguel de veículos e inclusive um kit alimentação com frutas, sanduíches, água, isotônico, cereais que entregue na noite anterior a prova. “É um produto que desenvolvemos junto com nutricionistas há três anos e que deu certo”, explica Vilmar Zunino, proprietário da agência de viagens Amplestur.

José Eduardo Zdanowicz, coordenador na equipe Paquetá Esportes Asics Faccat, afirma que levam apenas o isotônico para o evento. “O resto da alimentação compramos tudo em Florianópolis. No total, o orçamento com todos os gastos de um ano é de aproximadamente R$ 20 mil. Desse valor, 30% gastamos em dois dias de evento em Santa Catarina”, explica Zdanowicz. Segundo Zunino, o movimento do Volta à Ilha corresponde a 60% do ocorre no mês do evento.


Quando tudo vale a pena
No decorrer do sábado da prova, o clima não mudou durante o dia. Choveu em alguns momentos, mas continuou abafado. Por volta das 15h, na arena do Volta à Ilha montada próximo ao trapiche da avenida Beira-Mar, em Florianópolis, o locutor anuncia que os primeiros atletas já passaram o aeroporto e estão a caminho. No mesmo lugar onde ocorreu a largada, ainda na madrugada florianopolitana, todos começam a se movimentar e se preparar para receber os corredores depois de 140 km.

“Já estão chegando”, fala ao microfone o locutor quando vê a dupla pela primeira vez e às 15h30 a equipe de André Villarinho, formada por pelo peão de fazenda Sinei Mendanha e pelo servente Cleiser Alves, foi a primeira a concluir a prova se consagrando tri campeã na categoria. Encharcados de suor e ofegantes, os dois completaram a prova com 10h18min48s , já descontado o tempo de travessia do barco e sentem-se realizados, quase que leves. “Foi muito disputado, mas no trecho do Morro do Sertão, conseguimos abrir alguns minutos de vantagem”, conta Alves, referindo-se à dupla da Paquetá Esportes – Cia dos Cavalos, que chegou em segundo e correu grande parte da prova junto.

Com a chegada da dupla campeã, a expectativa passa a ser em saber qual será a equipe que completará a prova no menor tempo do dia e receberá a medalha de campeã geral de 2012. O favoritismo apontava para uma disputa entre Beckhauser Malhas de Tubarão/SC e Paquetá Esportes Asics de Porto Alegre/RS. As duas equipes correram juntas quase dois terços da prova com a diferença na casa dos segundos.

Às 15h58, termina a espera com a vitória da equipe catarinense. A Beckhauser Malhas de Tubarão/SC se consagra bicampeã do Revezamento Volta à Ilha e comemora muito aos pulos e gritos sob o painel de chegada. “É muito bom, é muita emoção. A prova foi muito difícil, muito disputada, mas conseguimos. Fizemos tudo certo, desde a preparação até agora. Ano que vem tem mais”, comemora o coordenador Edoir Schmoeller, tão ofegante quanto os atletas que correram a prova. A equipe conseguiu abrir uma vantagem de 12 minutos que começou a ser construída no trecho do Morro do Sertão.

O momento de realização dos atletas chamou a atenção de pessoas que caminham ou correm na Beira-Mar. Algumas fazem exercícios regularmente, outras apenas passeiam. Mas o esporte mexe com instinto de vencer e ver alguém contente por conquistar um objetivo inspira novos praticantes. Vestida com roupas de caminhada, a contadora Aghata Frade parou para aplaudir uma equipe de Campinas que recém completava a prova. “Sou de Campinas, mas moro em Florianópolis há dez anos.
Acho muito interessante eventos com esse tipo de iniciativa, pois incentiva a melhora da qualidade de vida na cidade”, comenta Aghata, que pretende participar do evento no ano que vem. “Quem sabe”, diz ela enquanto volta a caminhar.


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Texto: Erich Casagrande      
 
Última atualização ( Sex, 04 de Maio de 2012 11:55 )